Era de chuva que precisava. Precisava desesperadamente de chuva, música francesa, um livro e, quem sabe, um copo de café. Um copo de café iria bem. Adormeceu. Caiu em sono profundo mesmo sem o barulho da chuva, sem a melodia suave das vozes das cantoras francesas, sem o sono ter sido provocado pela leitura, e tãopouco com o gosto de café na boca...A chuva sempre trazia-o à memória de maneira sutil. E já fazia tanto tempo que ela não relembrava o passado... E nem ao menos sabia porque. Outrora fora tão frequente. ...Lembrar do tempo em que podia conversar, abraçá-lo, receber flores...Do tempo em que estavam em lugares diferentes mas sabiam-se onde. E doía...Doía porque fazia falta, e principalmente porque vinha à memória sem pedir licença, sem pedir desculpa. Se ele ao menos tivesse pedido desculpa... Agora ela sentia falta de sentir falta...Acontece não é? Bom, deveria ser normal se acostumar com a falta de alguém. O tempo sempre tira o incurável do centro das atenções mesmo .Como não choveu, não lembrou dele, e como não lembrou dele, conseguiu dormir mais uma noite.Acordou com o sol.
E teve um dia feliz.