És precária e veloz, felicidade



Já dizia Cedília Meireles. Afinal, como é? Tenho a "infeliz" idéia de que momentos felizes, além de não serem duradouros, são ilusórios por não serem permanentes, e, justamente, por serem "momentos" de felicidade transformam em arremedo o que a vida humana poderia ser, fazendo com que o restante seja triste e monótono. Quem têm a honra de conhecer a felicidade tem a desalegria de saber diferenciá-la da tristeza, o que parece ser irônico, já que se passará a sentir e perceber o restante dos dias normais, rotineiros e consequentemente infelizes que se seguirão. Conhecer o sentimento de felicidade passa a ser doloroso e estranho. As horas felizes passam rápido porque não as sentimos, e porque, de uma forma ou de outra estão preenchidas por esse sentimento de euforia, ao passo que as horas tristes ou isentas de felicidade extrema tornam-se "despovoadas e profundas" É, talvez a felicidade não passe mesmo de uma interrupção temporária de um processo de infelicidade. Como um palhaço que chora.

"És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir, e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.


Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste."

Cecília Meireles - Epigrama Nº 2