Je vois le ciel penché sur nous...
Su nell ' immensità del cielo.E per te e per me.

A vida é irônica, aprenda a rir com ela. Porque, basicamente, rir dela os outros já fazem por você.



Estive pensando no que há muito tempo, já dizia Vinícius de Moraes. Seria cômico, se não fosse melancólico. E seria piegas se não fosse verdade. O destino é uma arte, um teatro. Onde somos marionetes. Brincam com a gente, nos trombam com alguém, faz com que o pano vire um esboço de um sorriso, e então, mexem involuntariamente a mão, e sem dó nem piedade nos movimentam "mais pra lá". Tomara que a vida seja um círculo. Afinal, levando-se em conta a imensidão do mundo e a infinidade do espaço, é uma tremenda coincidência ter o amor de nossa vida em nossa vida; quem dera então, duas vezes.



"A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida"


Vinícius de Moraes

O amor e suas vítimias.



Querido Acaso,

Venho através deste lhe informar que faço questão de sua presença em minha vida novamente, por questões de sobrevivência e felicidade. Desde que você foi embora, muita coisa fez sentido para mim e muita coisa se encaixa perfeitamente. Acontece, que eu não quero saber tudo que vai acontecer, não quero ter certeza do que chega a mim e do que tua falta me quer mostrar. Sei que muitas vezes desacreditei em você e é por isso que você acabou partindo tão triste, mas prometo que dessa vez lhe serei fiel. Você já me polpou de muitos choros e de muitos enganos, ah, era tudo tão mais fácil. Era um amor cego mas tão cheio de espertezas levianas, quero que saiba que você é muito especial para mim. Lembro-me quando nos conhecemos a primeira vez, eu não prestei atenção em nada, não sofri nada, e ainda parecia estar sempre nas nuvens. Olha só como você me deixava. Agora, depois de tanto tempo sem aparecer, peço-lhe de todo meu coração, que volte. As pessoas não gostam muito de pensar em mim quando você está longe, elas ficam frias comigo. Elas me dizem ter culpa de tudo e que deixo a vida delas sempre em ciclos para que elas aprendam algo, me sinto tão mal. As pessoas não mais me valorizam como antes, ninguém liga para mais nada e nem para aprender algo. Mas o meu pior pesadelo são os casais apaixonados, como eles me maldizem. Te garanto que aqui é o seu lugar, ao seu lado, tudo fica mais belo, e as histórias desconexas que tem mais graça perante a verdade, quero mesmo a sua verdade inventada. Que de invenções, é só uma palavra pra dar sentido as minhas interpretações, que você tanto me ajudava a ter na vida. Não se esqueça de mim, volte mais uma vez ao meu coração, as vezes tudo que se quer, é se deixar levar... sempre.

Um beijo carinhoso, Coincidência.




No amor ou na dor, o amor faz suas vítimas. Nem suas ferramentas, nem seus artificios de tornar tudo mais leve polpa alguém. Sua contrariedade nos deixa na situação de perguntar a nos mesmos quem será a próxima vítima. O Acaso jamais respondeu a Coincidência, fugira com a Indiferença para longe, bem longe. E parece que fora assasinado no carnaval de 2006.


Regar a cidade à vinho, acender meu cigarro, e incendiá-la.


Era de chuva que precisava. Precisava desesperadamente de chuva, música francesa, um livro e, quem sabe, um copo de café. Um copo de café iria bem. Adormeceu. Caiu em sono profundo mesmo sem o barulho da chuva, sem a melodia suave das vozes das cantoras francesas, sem o sono ter sido provocado pela leitura, e tãopouco com o gosto de café na boca...A chuva sempre trazia-o à memória de maneira sutil. E já fazia tanto tempo que ela não relembrava o passado... E nem ao menos sabia porque. Outrora fora tão frequente. ...Lembrar do tempo em que podia conversar, abraçá-lo, receber flores...Do tempo em que estavam em lugares diferentes mas sabiam-se onde. E doía...Doía porque fazia falta, e principalmente porque vinha à memória sem pedir licença, sem pedir desculpa. Se ele ao menos tivesse pedido desculpa... Agora ela sentia falta de sentir falta...Acontece não é? Bom, deveria ser normal se acostumar com a falta de alguém. O tempo sempre tira o incurável do centro das atenções mesmo .Como não choveu, não lembrou dele, e como não lembrou dele, conseguiu dormir mais uma noite.Acordou com o sol.
E teve um dia feliz.

Arte do Chá



Ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo

ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo


J´arrêterais le temps, mon amour.


Me disseram preu ir com calma, preu pensar bem. me disseram preu não me entregar tanto as pessoas, preu tomar mais cuidado, preu parar de beber, preu deixar um vício de lado. me falaram que era preu ter cautela, ser atenciosa e estudar mais. me disseram que as coisas poderiam ser diferentes e que só dependia de mim. o fato é que 18 verões se passaram e se eu tivesse a chance de voltar no tempo, eu faria tudo exatamente igual. correria os mesmos riscos, levaria os mesmos tombos, choraria as mesmas lágrimas, lutaria pelos mesmos ideais, teria os mesmo sonhos, brigaria pelos mesmos amigos e me apaixonaria pelas mesmas pessoas. PORQUE O MUNDO PODE MUDAR UMA CABEÇA, MAS NEM MESMO UMA VIDA INTERIA, PODE MUDAR UMA ALMA.

Havia um cego sentado na calçada em Paris,com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que,escrito com giz branco,dizia: "Por favor,ajude-me,sou cego"Um publicitário,parou e viu umas poucas moedas no boné.Sem pedir licença,pegou o cartaz e o giz, e escreveu outro anúncio e foi embora. Mais tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego.Agora,o seu boné estava cheio de moedas.O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz,querendo saber o que havia escrito ali. O publicitário disse:- Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio,mas com outras palavras" Sorriu e continuou seu caminho.O cego nunca soube,mas seu novo cartaz dizia: "Hoje é Primavera em Paris e eu não posso vê-la"

(Derek Destito)

Eu aprendi, que tudo o que precisamos, é de uma mão para segurar e um coração para nos entender.

(Shakespeare)

então é assim? acabou e começa de novo.

e, por sorte (?) do destino, será tudo imensamente diferente. ou não.

confuso. Eu sinto meu coração apertado como se assim o fosse.

uma conversa. um abraço. um sorriso. uma afinidade. uma nova pessoa especial no meio de uma nova vida.

vou dormir. já que não da pra pedir um drink.

a propósito, feliz ano novo.



Além de dois, existem mais.

E além do mais, cada um tem seu livre-arbítrio.


Era difícil pegar no sono, mas o que eram 2 horas de agonia diante da eternidade do silêncio?...por isso ela adormecia, descanso enfim. Esquecimento.



Por ser indiferente, torna-se diferente.

E se eu chorar?

Você fica?

O essencial,

é invisível aos olhos.


Eu pararia o tempo,



como numa fotografia.



E guardaria a sensação,



como numa trilha sonora.


A vida sempre acaba provando que existem mais coisas no mundo do que você pode ver ou controlar.

Como é engraçado né? Tem momentos na vida, que nós temos tudo, tem outros que nós não temos nada..Tem momentos que choramos de felicidade, outros de tristeza. E tem também aqueles que nós não sentimos nada. Apenas aquele vazio confortador de não ter em quem pensar. ... Mas tambem, não só de vazio fazem esses momentos... Um pedacinho dele é preenchido por um passado real e imperfeito. Pensado, e digno de olhar de canto pra cima e lembrar, lembrar, e lembrar...Como foi bom, como foi horrível, como foi engraçado... Eu gosto disso. " Lembra daquele dia?" Coisas assim... Irreverentes, pela sua singularidade. Algumas pessoas passam pela sua vida como tatuagens; outras passam como piercings...e quem sabe algumas passam simplesmente passam pelo passar do esquecimento. Você é O QUE na vida de QUEM?



Quer saber?

Não importa se não houver o amanhã.

Deram-me a vida e não a eternidade.


Em certa hora, por amor próprio ou astúcia, as coisas que mais desejamos são as que fingimos não desejar.




Algumas pessoas são inesquecíveis, e de fato vai doer lembrar do fato delas não estarem conosco ,e não o fato de lembrarmos delas em si. Esqueçer alguém que foi importante, é egoísmo. Esqueçer é rejeitar que houve história. E rejeitar o que passou é fazer com que as coisas não tenham valido a pena. Lembrar das pessoas, e de como elas fizeram bem, faz bem. Lembrar é bom. Gostar é bom. Triste é só a falta que as coisas que aconteçeram fazem.










...amigos, amigos...

Captar a vibração...
... nos mínimos detalhes.



Algumas coisas são tão perfeitas que chegamos até a desconfiar. É assim com as pessoas também.


...Só uma coisa me entristece: o beijo de amor que não roubei, a jura secreta que não fiz, a briga de amor que eu não causei. Nada do que posso me alucina tanto quanto o que não fiz. Só uma palavra me devora: Aquela que meu coração não diz. Só o que me cega é o que me faz infeliz....

E se o mundo acabesse hoje? você morreria feliz?

É o quase que me dilacera e me incomoda, trazendo a lembrança de tudo aquilo que poderia ter sido e não foi.





É sempre amor,




mesmo que mude.



A vida começa a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.


Apresento-vos a vida: um desencontro fenomenal entre intenção e acto.
Tenho para mim que se Deus existe, está a se divertir imensamente com os nossos esforços patéticos.



É como algo que passa e não queremos sentir.


Esquiva-se.


E o chão? E o céu?



Onde está o mundo?






Vou exercitar o silêncio. Fala-se demais.


E tudo o que está junto
tende a se separar
E tudo o que está separado
tende a se juntar
Prefiro um drink.


Não abdico de um momento de prazer genuíno, daqueles que eu digo: "Ta aí, estes momentos não se repetem!" É verdade. Quando se tenta repetir a festa, um momento ideal, um momento favorito, não se consegue. Pode-se ter a mesma mesa, os mesmo candelabros, a mesma música, a mesma pessoa, mas não se repete. Porque há momentos mágicos. E o que eu tenho procurado na vida são esses momentos mágicos.



Aconteceu.

Hipocrisia.

Salvador Dalí, o mestre. ("surrealismo: s.f; super-realista", contraditório né? como tudo na vida.)


"do Gr. hypocrisia, forma poética de hypócrísis, desempenho de um papel no teatro, dissimulação.
s. f.,
impostura, fingimento;
contradição ante o ato de falar e fazer;
manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente não se tem."

Estava pensando. Pensando...Aliás, por que eu faço tanto isso? Prometo parar. Pelo meu bem, e pelo bem de todos que (ainda) me cercam. Eu fico imaginando o que uma pessoa pode fazer com a outra, como pode mudar atitudes, pensamentos, e aquilo que eu chamo de essência. O poder de mudar aquilo que se foi um dia. De destriuir todas aquelas pequenas sutilezas que faziam daquela pessoa, uma grande pessoa. E eu me pergunto, pra que? A minha vontade era dormir e não acordar, ou então, regar a cidade à vinho, acender meu cigarro e incendiá-la. Mas eu prometo manter cada parte de meus olhos abertas, inclusive a íris, por mais que ardam e lacrimejem, pra eu poder assistir (com um leve prazer, confesso) cada cena do espetáculo que está por vir. E quando ele acontecer, vou rir do drama como se fosse comédia, porque ser vingativa, infelizmente, faz parte de mim. Aguardo silenciosamente (porque agora, já não resta mais nada a falar) as cortinas se abrirem, e observo. E lembro, lembro que as pessoas tem todo o direito de não acreditarem em mim, mas algumas coisas são verdades, quer acreditem nelas, ou não.
A íris, é só porque colorido tem muito mais graça que em branco e preto.

Pena não ser burra, não sofria tanto.

"Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. (...) Mas, para instaurar uma vida mais simples e sábia, seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa. Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, de umnúmero... Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota denada, precisamos apenas viver - sem nome, nem número,fortes, doces, distraídos, bons - como os bois, as mangueiras e o ribeirão."

Rubem Braga - 200 crônicas escolhidas.

"(...) O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão." - C. Lispector


"Vês ! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera !

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro

A mão que afaga é a mesma que apedreja

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga

Escarra nessa boca que te beija"

Augusto Dos Anjos.



Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que
aprendi nos discos

Quero lhe contar como eu vivi e tudo que aconteceu
comigo

Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma
coisa boa


Mas também sei que qualquer canto é menor do que a
vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina

Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos
jovens

Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua

É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão

Digo que estou encantada com uma nova invenção

Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão

Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação

Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente
jovem reunida

Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói
mais

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo
que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não
enganam não

Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer que 'eu tô por fora, ou então que
eu tô inventando'

Mas é você que ama o passado e que não vê

É você que ama o passado e que não vê

Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova
consciência e juventude

Tá em casa guardado por Deus contando vil metal

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo,
tudo, tudo que fizemos

Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!


"Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário: Letras, lados, lestes. O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade... nada muda. A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade no meu retrovisor. A menina debruçando favores toda suja, é mãe de filhos que não conhece: vendeu-os por açúcar, prendas de quermesse. A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele. E nesse tráfego acelero o que posso. Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto. O farol fecha...Outras flores e carros surgem em meu retrovisor. Retrovisor é passado. É de vez em quando... do meu lado; nunca é na frente. É o segundo mais tarde... próximo... seguinte. É o que passou e muitas vezes ninguém viu. Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu; o que agora só ficou no pensamento. Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento. Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas. Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas. Deixa explícito que se vou pra frente, coisas ficam para trás. A gente só nunca sabe...que coisas são essas."

Pessoas mentem, atropelam. Pessoas mudam de opinião. E não olham pra trás. E por que deveríamos esperar que olhassem? Ora, porque sempre esperamos. Sempre vivemos esperando algo. Nem que seja o dia de amanhã. Esperamos o sol, ou a chuva. A reconciliação, ou a batalha final. O sorriso, ou a lágrima definitiva. Esperamos incessantemente por algo, ou alguém. Esperamos pelo salário no fim do mês. Porque se assim não fosse, viveríamos pelo que? E se não temos o que esperar, logo inventamos. Inventamos um curso pra fazer e esperar para ser concluído; inventamos um instrumento pra aprender a tocar, inventamos um resultado, um objetivo, inventamos uma pessoa para podermos sentir saudades e esperar que ela volte. O fato é que passamos todos os dias de nossa vidas, de manhã até a noite, esperando. Até que em alguma quarta-feira quente e ociosa como essa, nos damos conta disso. E então, esperamos que essa nostalgia passe, para voltarmos a esperar
novamente. Involuntário, inevitável, quase
indolor.


Sociedade escravista em tempos de não escravidão.


O mundo globalizado e moderno no qual passamos a viver nos coloca de frente ao consumo exagerado e à exploração assídua dos meios de comunicação como forma de alienar os possíveis e futuros consumidores de determinado produto. Em uma época mais simples, a publicidade meramente chamava a atenção para o produto e exaltava suas vantagens, não havia ainda, necessidade para tanto.
Porém, hoje em dia, fez-se do próprio consumidor um produto a ser vendido, onde a estratégia de venda consiste em torná-lo frustrado, entediado, insatisfeito e ansioso. O objetivo é colocá-lo forçadamente numa redoma de vidro na qual ele mesmo se reflita de forma totalmente insignificante, sentindo uma falta imensa de algo, de modo que pense que a única forma de supri-la é consumir. Só se será alguém se houver entrega aos delírios dos logotipos, preços altíssimos, e símbolos. Logotipos e símbolos, os quais só ficarão bem em você se você for magérrimo e alto, e, se por sorte fantástica da genética, tiver os olhos claros, a combinação será perfeita.
É a ditadura da beleza que nos impõe uma vida totalmente escravista, para então nos jogar bruscamente contra um muro de concreto onde há inúmeros produtos que (ó sim, milagrosamente) farão com que nos enquadremos a esses padrões de beleza, e estereótipo esquelético de face funda. E incrivelmente, todos fingem não se importarem com o sangue que se escorre devido ao baque, e o sangue coagula-se de esquecido, e passa-se a ser habitual ver meninas forçando-se a vomitar, passando horas sem comer, e pesando 29 Kg aos 23 anos. Como bonecas “Susie” elas desfilam como exemplos de beleza e saúde em prol das criancinhas de rua que (por azar do destino) passam fome.
É a sutil ironia que a sociedade vedada e amortecida pela mídia não enxerga e não sente. Agora, além de exemplos de beleza são também visões prefiguradas que nem santos e anjos imaginaram, tão bondoso e repletos de compaixão são seus caráteres. De agora em diante, a caridade se associa aos decibéis, o humanitarismo ao showbiz. Não existem mais causas nobres sem a presença de popstars. Essa mesma mídia que nos arremessa contra o muro dilacerando nossa verdadeira identidade, parece ainda assim, não estar contente com os hematomas.
É necessário ainda nos apresentar a comunicação em massa, que nos prega, como em crucifixos, a uma distância imensa um do outro, nos privando do contato físico, dos olhos nos olhos, da face a face. Famílias restringem sua forma de comunicação a telefonemas, e-mails, e salas de bate-papo via internet, rareando cada vez mais o convívio social, o almoço aos domingos, o abraço amigo.
O fato é que nos tornamos robôs programados para consumir compulsivamente, na busca incessante da moda e da beleza; destruindo nossa sensibilidade, atando nossas mãos em uma sociedade onde ser “humano” está cada vez mais raro. Isto já era previsível em uma sociedade onde se vende cor de olhos, vende-se o tipo de cabelo, vende-se o conserto do nariz arrebitado herdado como pura maldição do destino da mãe, vende-se a bolsa Gucci e os óculos Empório Armani para ir a desfiles beneficentes, vendem-se exemplos de imagem e perfeição...
Enfim, era realmente previsível, em uma sociedade em que só não se vende a alma, porque ainda não se sabe o e-mail do diabo.

Empresto, para finalizar, as palavras de um amigo agradabilíssimo: "Perante tamanha descrição da sociedade atual...onde eu e você estamos fora, não completamente pois é impossivel, permito-me dizer que temos que distribuir este manifesto dos seres humanos; para que, com o simples direito de liberdade que temos implorarmos: ALIENADOS... pensem!!!"



Vocês esperam uma intervenção divina mas não sabem que o tempo agora está contra vocês. Vocês se perdem no meio de tanto medo de não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender. E vocês armam seus esquemas ilusórios, continuam só fingindo que o mundo ninguém fez. Mas acontece que tudo tem começo, mas se começa um dia acaba; e eu tenho pena de vocês. E as ameaças de ataque nuclear, bombas de nêutrons não foi Deus quem fez. Talvez alguém um dia vai se vingar, vocês são vermes e pensam que são reis. Não quero ser como vocês, eu não preciso mais. Eu já sei o que eu tenho que saber, e agora tanto faz. Três crianças sem dinheiro e sem moral, não ouviram a voz suave que era uma lágrima. E se esqueceram de avisar pra todo mundo que ela talvez tivesse nome, era Fátima. E de repente o vinho virou água; e a ferida não cicatrizou, e o limpo se sujou. E no terceiro dia ninguém ressucitou...


PENSEM nas crianças mudas, telepáticas. PENSEM nas meninas cegas, inexatas. PENSEM nas mulheres: rotas alteradas. PENSEM nas feridas como rosas cálidas. Mas só não se esqueçam da rosa, da rosa. Da rosa de Hiroshima, rosa hereditária. A rosa radioativa, estúpida, inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica. Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada.



Hoje voltando da escola uma criança me deu uma folha de sulfite, e abriu um daqueles estojos cheio de giz de cera, canetinhas, e lápis de cor. Com um sorriso nos lábios, me pediu para que fizesse um desenho. Eu desenhei uma daquelas casinhas com formato quadrado e com um triângulo de telhado. Sim, tinha portinha redonda e janela quadriculada. Tinha também um caminho até a porta, com flores e grama em volta. No céu fiz um sol amarelo, duas nuvens e um arco-íris. Algumas coisas não mudam nunca.

"...mas mãe, por mais que a gente cresça; tem sempre alguma coisa que a gente não consegue entender..."

É mais fácil cultuar os mortos que os vivos. É mais fácil viver de sombras que de sóis. É mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro. Não quero ser triste, como o poeta que envelhece lendo maiakóvski na loja de conveniência. Não quero ser alegre, como o cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o sol de domingo. Nem quero ser estanque, como quem constrói estradas e não anda. Quero no escuro, como um cego, tatear estrelas distraídas. Amoras silvestres no passeio público, amores secretos debaixo dos guarda-chuvas, tempestades que não param, pára-raios quem não tem. Mesmo que não venha o trem, não posso parar. Vejo o mundo passar como passa uma escola de samba que atravessa. Pergunto onde estão teus tamborins. Pergunto onde estão teus tamborins, sentado na porta de minha casa. A mesma e única casa, a casa onde eu sempre morei.

Salve Zeca


"...que cada um reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espíirito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa do que ouro - existe a quem falte o delicado essencial. (...)"


Clarice Lispector


Quanto tempo não via o pôr do sol. Uma cor alaranjada misturava-se com o vermelho límpido que fazia o céu parecer tão cheio de cores quanto um arco-íris. Meu olhar se perdia naquela paisagem que acontece todos os dias diante de meus olhos. Observava cada traço do céu minuciosamente. Tinha até lua. Lua durante o dia. Sem nuvens, transparente, límpida e solitária. Devaneios percorreram minha mente procurando incessantemente chegar a uma conclusão. Nenhum ser humano pensa por pensar. Êta mania besta de querer resolver tudo. O sol refletia fortemente no meu rosto ao mesmo tempo em que queria se esconder de forma desesperada atrás das nuvens que se formavam e da noite que insistia em cair. Olhei pra minha fitinha verde do Nosso Senhor do Bonfim amarrada no meu tornozelo. Fé, crença, esperança. Quantos daqueles desejos se realizariam? Quantos ficariam para trás? Quantos eu nem ao menos lembraria que havia desejado quando a fitinha estourase? Lembrava daquele dia que tinha aquele sol também. Mas tinha você. Não tínhamos nada, mas tinhámos um ao outro. E bastava. Bastava como o sol se basta ao dia, e como as estrelas se bastam a noite. Anoitecia. Lembrei do seu sorriso sutil como que desejando algo. Fechei a cortina. Meus olhos ardiam com a claridade.

Temos um cartão de crédito no lugar do cérebro, um aspirador no lugar do nariz, e nada no lugar do coração.


"... A gente tem uma vida... uma vida de babacas. Comemos, dormimos, transamos, saímos... cada dia é a repetição incosciente do anterior: a gente come uma coisa diferente, a gente dorme melhor, ou pior, transa com outra pessoa, vamos à um lugar diferente quando saímos, jamais é igual. Sem objetivos, sem interresse. Nós continuamos e nos determinamos à objetivos materiais. Poder. Dinheiro. Filhos. A gente perde a cabeça tentando realizá-los. Mas, ou a gente nunca consegue alcançá-los, e fica frustrado para o resto da vida; ou, quando consegue, percebe que não dá a mínima. Depois a gente morre. Fica com a boca cheia de terra. Quando a gente se dá conta disso, a vontade que dá é de encher logo a boca de terra, para não ficar lutando em vão, pra pregar uma peça na fatalidade, pra escapar da armadilha. Mas a gente tem medo. Medo do desconhecido. Do pior. Então, quer queira, quer não, a gente fica sempre esperando alguma coisa. Do contrário, já teríamos apertado o gatilho, engolido a caixa de comprimidos, pressionado a lâmina da navalha até o sangue jorrar... A gente tenta se distrair, fazer a farra, a gente procura o amor; acha que encontrou, e depois vem a recaída. De muito alto. A gente tenta brincar com a vida pra fingir que a domina. A gente anda rápido demais, andamos a beira do abismo, cheiramos em demasia, beirando a overdose. Isso assusta os nossos pais, q vêem seus genes de banqueiros, grandes executivos, homens de negócios, se degenerarem a esse ponto. É uma coisa inacreditável para eles. Tem uns que tentam fazer alguma coisa a respeito, outros desistem. Tem uns que nunca estão presentes, que nunca abrem a boca, mas que assinam o cheque no final do mês. E são detestados pela gente por tanto e tão pouco. Darem tanto para que a gente se foda por aí e tão pouco daquilo que realmente importa. De forma que a gente acaba sem saber justamente o que importa, os limites se perdem. A gente é uma espécie de elétron sem núcleo. Temos um cartão de crédito no lugar do cérebro, um aspirador no lugar do nariz, e nada no lugar do coração. Vamos às boates muito mais do que às aulas, temos mais moradias que amigos de verdade, 200 numeros de telefones nos nosso caderninhos para os quais nunca ligamos. E a gente nao tem o direito de se queixar, porque aparentemente temos de tudo para sermos felizes. E a gente morre lentamente nos nossos apartamentos grandes demais, com sancas no lugar do céu, fartos, entupidos de cocaína e anti-depressivos... E um sorriso nos lábios..."


Hell - PARIS - 75016

Arrogância é solidão enrustida.

Eles se julgam melhores, e acreditam ser a minoria. Acreditam que o mundo divide-se entre "eles" e os "outros". Crêem que os "outros" não têm nada, não conseguem nada, não sabem nada, e juram que precisam deles. Sabe, eu até entendo, todos nós precisamos de um falso conforto pessoal. Além do mais "eles" podem conhecer o mundo, mas não a essência das pessoas que nele vivem, eles podem olhar paisagens, mas não têm a capacidade necessária para sentir o vento, podem até dar a volta ao mundo, mas jamais enxergarão com os olhos da mente. E então tudo torna-se superficial aos olhos daqueles que apenas vêem para falarem que viram, que apenas conhecem para falarem que conheceram, que fingem que vivem para falarem que viveram. E as pequenas conquistas? E as sutis alegrias? E o valor de um abraço, de um pôr de sol, de uma palavra amiga? Quantas vezes "eles", tão distintos dos "outros", reconheceram a importância de alguem? perceberam o quão pequenos são diante dessa imensidão que é a vida? Talvez falte tempo, senso de percepção, espiritualidade...E seguem enchendo o ego daquilo que acreditam ser felicidade, e continuam só fingindo que o mundo ninguém fez.


Quem dera tivessem a paz do semblante daqueles "outros", que vivem muito mais intensamente, porque à estes foi dado o poder infinito de ter, sentir, e sorrir através da alma.

O vazio dá lugar à futilidade. A burrice de conhecer uma alma, a incapacidade de compartilhar um sonho, e a falsa mentira de se achar suficientemente forte a ponto de nunca vir a precisar de um abraço antes de dormir torna-se egocentrismo.

Arrogância é solidão enrustida. E eu tenho PENA.

Eu ainda prefiro me lambuzar de sorvete, andar descalço, e vestir aquela camiseta larga e velha.

Devaneios tolos.

É impressionante como meros devaneios tolos insistem em me torturar. Conduzem-me misteriosamento por caminhos tortuosos que sob minha vontade ou não, levam-me até você.
E então minha mente e minha alma são tomadas por uma ligeira intenção de voltar àquela noite, com aquelas mesmas estrelas, com a mesma lua, com as mesmas filosofias, com a mesma trilha sonora... Essa vontade súbita vem quase sutilmente, como que pedindo desculpas por estar vindo-me à lembrança; o que é cruel e consome-me por dentro, já que nunca me esqueço que não podemos voltar no tempo, e tão pouco fazer as pessoas voltarem a ser o que um dia foram.
A última vez que o vi foi tão furtiva quanto todas as outras, porém não menos preciosa.
Eu sei que soa piegas, além do mais você tem todo o direito de achar que estou mentindo, mas algumas coisas são verdades quer você acredite nelas ou não.
A gente faz de tudo, mas nada faz sentido.

Eu quero mesmo é abraçar o mundo

Tenho sede de conhecimento. De repente, sou tomada por uma vontade súbita de entender por que uma nuvem em forma de fumaça tem o nível de entropia baixo devido sua alta complexidade e desorganização da mesma maneira como gostaria imensamente de entender por que Sócrates, mesmo sem ter escrito uma linha, pertence ao número de filósofos que exercem maior influência no pensamento europeu. Um desejo imenso de saber. Conhecer. Viver. Compreender. Sair pro mundo e conhecer lugares novos, pessoas novas, idéas inovadoras, culturas... Descobrir com os próprios olhos a diferença física e as semelhanças da alma e da esperança dos orientais, muçulmanos, afegãos, ingleses, americanos...Visitar museus de arte, encontrar alguém pra discutir sobre eles e tomar um café vendo a neve cair pela vidraça enorme que se estende à nossa frente. E então eu tenho a certeza convicta de que preciso conhecer algo novo, sair desesperadamente desse lugar pequeno onde não se é possivel sequer encontrar um bom filme na locadora, eu digo filmes que são verdadeiras obras de arte, poesias em forma de imagens e sons. Falando nisso, não siga minhas sugestões para filmes, eu não sou o tipo de pessoa que vai assistir "penatras bons-de-bico" com você. Acontece que o desejo de querer saber chega a consumir-me por dentro de tal forma que pareço transbordar. Mas aí me canso. Não transbordo. E então, cada póro do meu corpo parece se fechar um a um, guardando dentro de meu infinito particular tudo aquilo que poderia ter sido e não foi.


Eu sinto tanta vontade de abraçar o mundo. Às vezes.

Sentimento ilhado, morto e amordaçado


Era uma daquelas noites frias, nas quais o vento sopra insuportavelmente deixando uma sensação gélida por todo o quarto, apesar das janelas fechadas. Não tinha sono, não tinha nada. Pensava incansavelmente o por que as pessoas insistiam em andar em círculos seguindo idéias ridículas de não dar o braço a torcer. Não tinha esperança, não tinha nada. Imaginava o motivo pelo qual não havia pedido aquele abraço ou dito "ei, olhe para mim! estou aqui". Seria medo de vê-lo mudar para não iludí-la? Mas não tinha medo, não tinha nada. Ela sabia que ele chegava para ela antes do dia, e ainda assim fechou-se como pétalas nalgum lugar. Seria receio de admitir que ele, somente ele, poderia abrí-la pétala por pétala como uma flor se abre ao ver surgir a primavera? Mas não tinha receio, não tinha nada. Ela tinha a certeza convicta de que apenas ele carregava consigo 'aqueles' olhares que a faziam ir do céu ao inferno em questão de segundos, aquele jeito de falar sem parar que a desconcertava deixando-a sem palavras, e ainda assim prefiriu não dizer nada. Seria por ser insegura em relação a consiguir o que realmente queria? Mas não tinha insegurança, não tinha nada. Sentiu uma súbita vontade de pegar o telefone e ligar... contar-lhe o quanto ele a fazia tremer. Mas não o fez. Seria vergonha de ser-lhe verdadeira confessando-lhe segredos até então inconfessáveis? Mas não tinha vergonha, não tinha nada. Sentiu uma imensa vontade, já que não queria ligar, de ao menos escrever-lhe uma carta escancarando-lhe o quão importante ele era. Mas não. Seria por pensar que enquanto fosse procurar a caneta e buscar o papel suas idéias teriam se dissipado como uma fumaça que sai de um trem e depois se esvaece no céu sem deixar vestígios? Mas não tinha esse pensamento, não tinha nada. Invadiu-se por uma ideía frenética de gritar que por ser indiferente ele tornava-se diferente, mas novamente não o fez. Seria por imaginar que o som alto de sua voz acordaria alguém? Mas não tinha essa idéia, não tinha nada. E então, chorou. Abafou o choro com o travesseiro, do mesmo modo como abafava tudo o que sentia. E adormeceu. Não teve medo, não teve receio, não teve insegurança, não teve vergonha; e ainda assim, não disse nada. Era uma daquelas manhãs frias, nas quais o vento sopra insuportavelmente deixando uma sensação gélida por todo o quarto, apesar das janelas continuarem fechadas e o sol já estar brilhando. Não tinha dito nada, já não podia dizer nada, não acordou. Não tinha vida, não tinha nada.

E já não podemos dizer nada



[...]Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.


(No Caminho com Maiakóvski, poema do poeta brasileiro Eduardo Alves da Costa)

Vontades que ficam pra trás...



Já tive vontade de fazer tanta coisa. Vontades repentinas, que vieram e se foram como que seguindo o ciclo normal da vida. Outras, vieram e ali ficaram, guardadas e escondidas em meu refúgio particular. Guardadas e escondidas porque eu assim as deixei. Uma delas foi aprender a tocar piano. Não o fiz por falta de tempo, habilidade, coragem. Ora, pra que inventar? Não o fiz porque criei como desculpa a falta de tempo, de habilidade e de coragem, por simples conforto pessoal. Qual outro motivo senão esse? Qual outro motivo se a leitura das partituras sempre pareceu-me uma mágica?...como um coelho saindo da cartola e instintivamente trazendo brilho aos olhos da platéia.. Qual outro motivo se até mesmo apenas o gesto de tocar-lhe parece-me delicado, sutil...quase sem querer?... Qual outro motivo se a melodia sooa me acalmando, me confortando, me alegrando e me comovendo?
As partituras, os gestos, a melodia e todas as outras pequenas sutilezas que fazem você gostar ou não de algo.
Quantas coisas que nos fariam bem nós deixamos de fazer?



Quer saber? amanhã vou numa escola de música.

Socorro



Às vezes eu penso tanto que chego a crer piamente que irei enlouquecer.

Enlouquecer de uma vontade louca de me entorpecer com doses excessivas de soluções e conclusões.

És precária e veloz, felicidade



Já dizia Cedília Meireles. Afinal, como é? Tenho a "infeliz" idéia de que momentos felizes, além de não serem duradouros, são ilusórios por não serem permanentes, e, justamente, por serem "momentos" de felicidade transformam em arremedo o que a vida humana poderia ser, fazendo com que o restante seja triste e monótono. Quem têm a honra de conhecer a felicidade tem a desalegria de saber diferenciá-la da tristeza, o que parece ser irônico, já que se passará a sentir e perceber o restante dos dias normais, rotineiros e consequentemente infelizes que se seguirão. Conhecer o sentimento de felicidade passa a ser doloroso e estranho. As horas felizes passam rápido porque não as sentimos, e porque, de uma forma ou de outra estão preenchidas por esse sentimento de euforia, ao passo que as horas tristes ou isentas de felicidade extrema tornam-se "despovoadas e profundas" É, talvez a felicidade não passe mesmo de uma interrupção temporária de um processo de infelicidade. Como um palhaço que chora.

"És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir, e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.


Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste."

Cecília Meireles - Epigrama Nº 2

Eis o motivo...



Escrevo, sobretudo, para acalmar-me a alma. Para aliviar-me a dor. Para afastar-me da solidão. Sinto que escrever sobre meus sentimentos, sentidos, pensamentos e percepções seja como escrever com um graveto na areia de uma praia, pois dura o tempo que dura o intervalo entre as ondas ou as marés, e depois se vai...Vai, aliás, como todas as outras coisas. Não faço isso para aqueles que me lêem, se é que me lêem. Faço-o, antes de tudo, por mim. Porque assim fecho-me como dedos nalgum lugar; no meu lugar, onde tiro de dentro de mim tudo o que me faz sentir melhor, ou pior. E de onde, ninguém pode me tirar.