O amor e suas vítimias.
Venho através deste lhe informar que faço questão de sua presença em minha vida novamente, por questões de sobrevivência e felicidade. Desde que você foi embora, muita coisa fez sentido para mim e muita coisa se encaixa perfeitamente. Acontece, que eu não quero saber tudo que vai acontecer, não quero ter certeza do que chega a mim e do que tua falta me quer mostrar. Sei que muitas vezes desacreditei em você e é por isso que você acabou partindo tão triste, mas prometo que dessa vez lhe serei fiel. Você já me polpou de muitos choros e de muitos enganos, ah, era tudo tão mais fácil. Era um amor cego mas tão cheio de espertezas levianas, quero que saiba que você é muito especial para mim. Lembro-me quando nos conhecemos a primeira vez, eu não prestei atenção em nada, não sofri nada, e ainda parecia estar sempre nas nuvens. Olha só como você me deixava. Agora, depois de tanto tempo sem aparecer, peço-lhe de todo meu coração, que volte. As pessoas não gostam muito de pensar em mim quando você está longe, elas ficam frias comigo. Elas me dizem ter culpa de tudo e que deixo a vida delas sempre em ciclos para que elas aprendam algo, me sinto tão mal. As pessoas não mais me valorizam como antes, ninguém liga para mais nada e nem para aprender algo. Mas o meu pior pesadelo são os casais apaixonados, como eles me maldizem. Te garanto que aqui é o seu lugar, ao seu lado, tudo fica mais belo, e as histórias desconexas que tem mais graça perante a verdade, quero mesmo a sua verdade inventada. Que de invenções, é só uma palavra pra dar sentido as minhas interpretações, que você tanto me ajudava a ter na vida. Não se esqueça de mim, volte mais uma vez ao meu coração, as vezes tudo que se quer, é se deixar levar... sempre.
Um beijo carinhoso, Coincidência.
Havia um cego sentado na calçada em Paris,com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que,escrito com giz branco,dizia: "Por favor,ajude-me,sou cego"Um publicitário,parou e viu umas poucas moedas no boné.Sem pedir licença,pegou o cartaz e o giz, e escreveu outro anúncio e foi embora. Mais tarde o publicitário voltou a passar em frente ao cego.Agora,o seu boné estava cheio de moedas.O cego reconheceu as pisadas e lhe perguntou se havia sido ele quem reescreveu seu cartaz,querendo saber o que havia escrito ali. O publicitário disse:- Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio,mas com outras palavras" Sorriu e continuou seu caminho.O cego nunca soube,mas seu novo cartaz dizia: "Hoje é Primavera em Paris e eu não posso vê-la"
Eu aprendi, que tudo o que precisamos, é de uma mão para segurar e um coração para nos entender.
E se o mundo acabesse hoje? você morreria feliz?
É o quase que me dilacera e me incomoda, trazendo a lembrança de tudo aquilo que poderia ter sido e não foi.
Tenho para mim que se Deus existe, está a se divertir imensamente com os nossos esforços patéticos.
Hipocrisia.
Salvador Dalí, o mestre. ("surrealismo: s.f; super-realista", contraditório né? como tudo na vida.)
s. f.,
impostura, fingimento;
contradição ante o ato de falar e fazer;
manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente não se tem."
Estava pensando. Pensando...Aliás, por que eu faço tanto isso? Prometo parar. Pelo meu bem, e pelo bem de todos que (ainda) me cercam. Eu fico imaginando o que uma pessoa pode fazer com a outra, como pode mudar atitudes, pensamentos, e aquilo que eu chamo de essência. O poder de mudar aquilo que se foi um dia. De destriuir todas aquelas pequenas sutilezas que faziam daquela pessoa, uma grande pessoa. E eu me pergunto, pra que? A minha vontade era dormir e não acordar, ou então, regar a cidade à vinho, acender meu cigarro e incendiá-la. Mas eu prometo manter cada parte de meus olhos abertas, inclusive a íris, por mais que ardam e lacrimejem, pra eu poder assistir (com um leve prazer, confesso) cada cena do espetáculo que está por vir. E quando ele acontecer, vou rir do drama como se fosse comédia, porque ser vingativa, infelizmente, faz parte de mim. Aguardo silenciosamente (porque agora, já não resta mais nada a falar) as cortinas se abrirem, e observo. E lembro, lembro que as pessoas tem todo o direito de não acreditarem em mim, mas algumas coisas são verdades, quer acreditem nelas, ou não.
A íris, é só porque colorido tem muito mais graça que em branco e preto.
Pena não ser burra, não sofria tanto.
"Então, de repente, no meio dessa desarrumação feroz da vida urbana, dá na gente um sonho de simplicidade. Será um sonho vão? Detenho-me um instante, entre duas providências a tomar, para me fazer essa pergunta. Por que fumar tantos cigarros? Eles não me dão prazer algum; apenas me fazem falta. São uma necessidade que inventei. (...) Mas, para instaurar uma vida mais simples e sábia, seria preciso ganhar a vida de outro jeito, não assim, nesse comércio de pequenas pilhas de palavras, esse ofício absurdo e vão de dizer coisas, dizer coisas... Seria preciso fazer algo de sólido e de singelo; tirar areia do rio, cortar lenha, lavrar a terra, algo de útil e concreto, que me fatigasse o corpo, mas deixasse a alma sossegada e limpa. Todo mundo, com certeza, tem de repente um sonho assim. É apenas um instante. O telefone toca. Um momento! Tiramos um lápis do bolso para tomar nota de um nome, de umnúmero... Para que tomar nota? Não precisamos tomar nota denada, precisamos apenas viver - sem nome, nem número,fortes, doces, distraídos, bons - como os bois, as mangueiras e o ribeirão."
Rubem Braga - 200 crônicas escolhidas.
"Vês ! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera !
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro
A mão que afaga é a mesma que apedreja
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga
Escarra nessa boca que te beija"
Augusto Dos Anjos.
aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo que aconteceu
comigo
Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma
coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a
vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos
jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente
jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói
mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo
que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não
enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que 'eu tô por fora, ou então que
eu tô inventando'
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova
consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo,
tudo, tudo que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos...
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!
Sociedade escravista em tempos de não escravidão.
Porém, hoje em dia, fez-se do próprio consumidor um produto a ser vendido, onde a estratégia de venda consiste em torná-lo frustrado, entediado, insatisfeito e ansioso. O objetivo é colocá-lo forçadamente numa redoma de vidro na qual ele mesmo se reflita de forma totalmente insignificante, sentindo uma falta imensa de algo, de modo que pense que a única forma de supri-la é consumir. Só se será alguém se houver entrega aos delírios dos logotipos, preços altíssimos, e símbolos. Logotipos e símbolos, os quais só ficarão bem em você se você for magérrimo e alto, e, se por sorte fantástica da genética, tiver os olhos claros, a combinação será perfeita.
É a ditadura da beleza que nos impõe uma vida totalmente escravista, para então nos jogar bruscamente contra um muro de concreto onde há inúmeros produtos que (ó sim, milagrosamente) farão com que nos enquadremos a esses padrões de beleza, e estereótipo esquelético de face funda. E incrivelmente, todos fingem não se importarem com o sangue que se escorre devido ao baque, e o sangue coagula-se de esquecido, e passa-se a ser habitual ver meninas forçando-se a vomitar, passando horas sem comer, e pesando 29 Kg aos 23 anos. Como bonecas “Susie” elas desfilam como exemplos de beleza e saúde em prol das criancinhas de rua que (por azar do destino) passam fome.
É a sutil ironia que a sociedade vedada e amortecida pela mídia não enxerga e não sente. Agora, além de exemplos de beleza são também visões prefiguradas que nem santos e anjos imaginaram, tão bondoso e repletos de compaixão são seus caráteres. De agora em diante, a caridade se associa aos decibéis, o humanitarismo ao showbiz. Não existem mais causas nobres sem a presença de popstars. Essa mesma mídia que nos arremessa contra o muro dilacerando nossa verdadeira identidade, parece ainda assim, não estar contente com os hematomas.
É necessário ainda nos apresentar a comunicação em massa, que nos prega, como em crucifixos, a uma distância imensa um do outro, nos privando do contato físico, dos olhos nos olhos, da face a face. Famílias restringem sua forma de comunicação a telefonemas, e-mails, e salas de bate-papo via internet, rareando cada vez mais o convívio social, o almoço aos domingos, o abraço amigo.
O fato é que nos tornamos robôs programados para consumir compulsivamente, na busca incessante da moda e da beleza; destruindo nossa sensibilidade, atando nossas mãos em uma sociedade onde ser “humano” está cada vez mais raro. Isto já era previsível em uma sociedade onde se vende cor de olhos, vende-se o tipo de cabelo, vende-se o conserto do nariz arrebitado herdado como pura maldição do destino da mãe, vende-se a bolsa Gucci e os óculos Empório Armani para ir a desfiles beneficentes, vendem-se exemplos de imagem e perfeição...
Enfim, era realmente previsível, em uma sociedade em que só não se vende a alma, porque ainda não se sabe o e-mail do diabo.
Empresto, para finalizar, as palavras de um amigo agradabilíssimo: "Perante tamanha descrição da sociedade atual...onde eu e você estamos fora, não completamente pois é impossivel, permito-me dizer que temos que distribuir este manifesto dos seres humanos; para que, com o simples direito de liberdade que temos implorarmos: ALIENADOS... pensem!!!"
Vocês esperam uma intervenção divina mas não sabem que o tempo agora está contra vocês. Vocês se perdem no meio de tanto medo de não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender. E vocês armam seus esquemas ilusórios, continuam só fingindo que o mundo ninguém fez. Mas acontece que tudo tem começo, mas se começa um dia acaba; e eu tenho pena de vocês. E as ameaças de ataque nuclear, bombas de nêutrons não foi Deus quem fez. Talvez alguém um dia vai se vingar, vocês são vermes e pensam que são reis. Não quero ser como vocês, eu não preciso mais. Eu já sei o que eu tenho que saber, e agora tanto faz. Três crianças sem dinheiro e sem moral, não ouviram a voz suave que era uma lágrima. E se esqueceram de avisar pra todo mundo que ela talvez tivesse nome, era Fátima. E de repente o vinho virou água; e a ferida não cicatrizou, e o limpo se sujou. E no terceiro dia ninguém ressucitou...
Hoje voltando da escola uma criança me deu uma folha de sulfite, e abriu um daqueles estojos cheio de giz de cera, canetinhas, e lápis de cor. Com um sorriso nos lábios, me pediu para que fizesse um desenho. Eu desenhei uma daquelas casinhas com formato quadrado e com um triângulo de telhado. Sim, tinha portinha redonda e janela quadriculada. Tinha também um caminho até a porta, com flores e grama em volta. No céu fiz um sol amarelo, duas nuvens e um arco-íris. Algumas coisas não mudam nunca.
"...mas mãe, por mais que a gente cresça; tem sempre alguma coisa que a gente não consegue entender..."
É mais fácil cultuar os mortos que os vivos. É mais fácil viver de sombras que de sóis. É mais fácil mimeografar o passado que imprimir o futuro. Não quero ser triste, como o poeta que envelhece lendo maiakóvski na loja de conveniência. Não quero ser alegre, como o cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o sol de domingo. Nem quero ser estanque, como quem constrói estradas e não anda. Quero no escuro, como um cego, tatear estrelas distraídas. Amoras silvestres no passeio público, amores secretos debaixo dos guarda-chuvas, tempestades que não param, pára-raios quem não tem. Mesmo que não venha o trem, não posso parar. Vejo o mundo passar como passa uma escola de samba que atravessa. Pergunto onde estão teus tamborins. Pergunto onde estão teus tamborins, sentado na porta de minha casa. A mesma e única casa, a casa onde eu sempre morei.
Salve Zeca
Temos um cartão de crédito no lugar do cérebro, um aspirador no lugar do nariz, e nada no lugar do coração.
Arrogância é solidão enrustida.
Eles se julgam melhores, e acreditam ser a minoria. Acreditam que o mundo divide-se entre "eles" e os "outros". Crêem que os "outros" não têm nada, não conseguem nada, não sabem nada, e juram que precisam deles. Sabe, eu até entendo, todos nós precisamos de um falso conforto pessoal. Além do mais "eles" podem conhecer o mundo, mas não a essência das pessoas que nele vivem, eles podem olhar paisagens, mas não têm a capacidade necessária para sentir o vento, podem até dar a volta ao mundo, mas jamais enxergarão com os olhos da mente. E então tudo torna-se superficial aos olhos daqueles que apenas vêem para falarem que viram, que apenas conhecem para falarem que conheceram, que fingem que vivem para falarem que viveram. E as pequenas conquistas? E as sutis alegrias? E o valor de um abraço, de um pôr de sol, de uma palavra amiga? Quantas vezes "eles", tão distintos dos "outros", reconheceram a importância de alguem? perceberam o quão pequenos são diante dessa imensidão que é a vida? Talvez falte tempo, senso de percepção, espiritualidade...E seguem enchendo o ego daquilo que acreditam ser felicidade, e continuam só fingindo que o mundo ninguém fez.
Quem dera tivessem a paz do semblante daqueles "outros", que vivem muito mais intensamente, porque à estes foi dado o poder infinito de ter, sentir, e sorrir através da alma.
O vazio dá lugar à futilidade. A burrice de conhecer uma alma, a incapacidade de compartilhar um sonho, e a falsa mentira de se achar suficientemente forte a ponto de nunca vir a precisar de um abraço antes de dormir torna-se egocentrismo.
Arrogância é solidão enrustida. E eu tenho PENA.
Eu ainda prefiro me lambuzar de sorvete, andar descalço, e vestir aquela camiseta larga e velha.
Devaneios tolos.
Eu quero mesmo é abraçar o mundo
Sentimento ilhado, morto e amordaçado
E já não podemos dizer nada
Vontades que ficam pra trás...
Já tive vontade de fazer tanta coisa. Vontades repentinas, que vieram e se foram como que seguindo o ciclo normal da vida. Outras, vieram e ali ficaram, guardadas e escondidas em meu refúgio particular. Guardadas e escondidas porque eu assim as deixei. Uma delas foi aprender a tocar piano. Não o fiz por falta de tempo, habilidade, coragem. Ora, pra que inventar? Não o fiz porque criei como desculpa a falta de tempo, de habilidade e de coragem, por simples conforto pessoal. Qual outro motivo senão esse? Qual outro motivo se a leitura das partituras sempre pareceu-me uma mágica?...como um coelho saindo da cartola e instintivamente trazendo brilho aos olhos da platéia.. Qual outro motivo se até mesmo apenas o gesto de tocar-lhe parece-me delicado, sutil...quase sem querer?... Qual outro motivo se a melodia sooa me acalmando, me confortando, me alegrando e me comovendo?
As partituras, os gestos, a melodia e todas as outras pequenas sutilezas que fazem você gostar ou não de algo.
Quantas coisas que nos fariam bem nós deixamos de fazer?
Quer saber? amanhã vou numa escola de música.
Socorro
Enlouquecer de uma vontade louca de me entorpecer com doses excessivas de soluções e conclusões.
És precária e veloz, felicidade
Já dizia Cedília Meireles. Afinal, como é? Tenho a "infeliz" idéia de que momentos felizes, além de não serem duradouros, são ilusórios por não serem permanentes, e, justamente, por serem "momentos" de felicidade transformam em arremedo o que a vida humana poderia ser, fazendo com que o restante seja triste e monótono. Quem têm a honra de conhecer a felicidade tem a desalegria de saber diferenciá-la da tristeza, o que parece ser irônico, já que se passará a sentir e perceber o restante dos dias normais, rotineiros e consequentemente infelizes que se seguirão. Conhecer o sentimento de felicidade passa a ser doloroso e estranho. As horas felizes passam rápido porque não as sentimos, e porque, de uma forma ou de outra estão preenchidas por esse sentimento de euforia, ao passo que as horas tristes ou isentas de felicidade extrema tornam-se "despovoadas e profundas" É, talvez a felicidade não passe mesmo de uma interrupção temporária de um processo de infelicidade. Como um palhaço que chora.
"És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir, e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa.
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste."
Cecília Meireles - Epigrama Nº 2














































